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Biografia do Cônego Fernando Passos


CônegoCônego Fernando do Nascimento Rodrigues dos Passos nasceu, em Tejipió, arrabalde de Recife, aos 11 de outubro de 1897. Recifense, filho legítimo de José Leopoldino Rodrigues dos Passos e Rita do Nascimento Rodrigues dos Passos. Já rapaz com 17 anos, cursando a escola pública no Recife, resolveu ingressar no Seminário de Olinda, onde fez todos os estudos eclesiásticos. Era abril de 1914 quando se matriculou no Seminário. Inteligente e perspicaz, dotado de certa veia de ironia recreativa, soube cativar a simpatia e a admiração de mestre e condiscípulos.

Cursou humanidades, Filosofia e Teologia, preparando-se para concretizar o seu ideal de consagrar-se ao Senhor, no sacerdócio ordenado. Duas grandes escolas plasmaram a inteligência e o coração, o Seminário e o quartel, em experiências diferentes de vida. Teve dificuldades de liberta-se do serviço militar, obtendo, afinal, dispensa.

Como aluno disciplinado e obediente aos preceitos regulamentares e ao mesmo tempo inteligente e afável para todos, inspirava confiança à comunidade docente e discente do Seminário de Olinda que, na época, formava o clero pernambucano. Julgado habilitado para a vida eclesiástica, recebeu a ordenação sacerdotal, no dia 19 de março de 1924, em cerimônia solene na Matriz de São José de Surubim das mãos do Senhor Bispo Diocesano Dom Ricardo Ramos de Castro Vilela que, também, já o admirava pela riqueza dos seus dotes. Tornou-se, logo, um grande colaborador do Prelado, em tudo que se fizesse necessário, sobretudo, no ministério da Palavra. Era de fato, um grande orador, talvez mesmo, o maior orador sacro do seu tempo. Com efeito, os seus sermões encantavam pela palavra fluente, abundância de argumentos e ainda mais com impressionante fundamentação bíblico teológica. Tudo isso, não o envaidecia. Era sempre amável, acolhedor e de uma simplicidade evangélica.

Sobre a figura do talentoso Cônego Fernando Passos, reporto-me ao testemunho inequívoco de dois historiadores de alta qualificação: Monsenhor José da Silva Aragão e Doutor José Geraldo de Távora.

"Nunca lhe faltou oportunidade de fazer estrugir quente, vibrante e atraente, com que agradou a todos os sabores literários, poéticos e oratórios". Sua eloqüência estava no riso, no olhar, nas mãos, no peito arfante, nos gestos todos que completava a palavra. Quem entendesse de discurso podia completar o pensamento do Padre Fernando. Sua mímica revelava o conteúdo da idéia que outro bem poderia concluir. Há quem diga ter sido este sacerdote o mais fluente, ardoroso e vibrante orador sacro do nosso século. Nele sobravam dotes de eloqüência. Ouvi-lo era um deleite espiritual porque era, na verdade, um artista da palavra. Com ela magnetizava platéias levando-as ao extravasamento das emoções vivido em cada circunstância. Quer falasse no púlpito, na praça pública ou em reuniões memores, deixava a marca da beleza de suas orações. Orador singular e raro era bom do princípio ao fim. Foi convidado como orador em um congresso internacional no Rio de Janeiro em 1955, onde agradou a todos. O Padre Manuel Galdino Vigário da Catedral de Petrópolis, chegou a dizer, que somente ele era o bastante para discursar naquele evento, e ainda acrescentou, eu gostaria que ele viesse ensinar o clero do Rio de Janeiro a falar. Logo no início de sua vida sacerdotal, quase sempre era o acompanhante do Bispo Diocesano nas visitas pastorais, em missões populares, e outros eventos religiosos. No governo pastoral de Dom Carlos Coelho foi agraciado com o título de CÔNEGO HONORÁRIO do Cabido Metropolitano de Maceió. No seu itinerário de Pastor, assumiu as responsabilidades paroquiais de Nazaré, de Itambé, de Goiana e finalmente de Limoeiro, onde terminou santamente a sua vida terrena, no dia 18 de dezembro de 1964. A sua morte ocorreu no Recife e o seu corpo transladado, no mesmo dia para Limoeiro, sendo recebido, na entrada da cidade por uma multidão. O velório realizou-se na Matriz, sendo transmitido, pela Rádio Difusora, durante toda a noite, com muita unção e participação dos paroquianos. No dia seguinte, o Senhor Bispo Manuel Lisboa de Oliveira presidiu à Santa Missa, concelebrada por vários sacerdotes e, logo depois o sepultamento com a participação de autoridades, representações de várias paróquias e imensa massa de cristãos. O Governo Municipal de Limoeiro, em justa homenagem ao emitente Pároco falecido, decretou luto oficial e o comércio, indústria e instituições outras encerraram as suas atividades. Hoje os seus restos mortais, se encontram na nave direita da Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Limoeiro, bem perto do altar mor, cobertos com uma lápide de mármore, com o seu nome, recebendo constantemente a visita afetuosa do povo cristão.

Parte Pitoresca do Cônego Fernando do Nascimento Rodrigues dos Passos

Gostava muito de comer uma galinha guisada, depois de comer dizia, "Pobre quando come galinha ou ele ou a galinha esta doente".

E costumava dizer: "gosto muito de galinha, se for guisada e com arroz, de preferência ligado".

Risonho, quando chegava na casa onde visitava, gritava lá de fora, "comadre o que se come nesta casa? A comadre respondia: uma galinha", o Vigário dizia: só se for na cabidela".

Gostava muito dê trocar o termo de licencia, por deixe ver seu passo.

Nunca arredava a sua simplicidade, Muito alegre, e gostava muito de tomar caldo após a refeição, depois dizia; "homem que bebe caldo, não dar saia a mulher".

Gostava muito de aproveitar uma horinha para uma boa lição de moral.

Nunca rejeitou prato por ser bom ou ruim, comia do mesmo jeito depois dizia, "nunca enjeitei pato por gordo, nem Peru por carregado".

Certa vez uma mulher levou uma criança nua, para ser batizada, o padre gritou bem alto, "que novidade é essa minha senhora?" A mulher respondeu: é promessa padre, é traje do menino Jesus. O padre tomou a toalha da madrinha de apresentar, cobriu a criança, e disse; "tomara que essa promessa não tenha sido pra toda vida".

Uma mulher chegou perto do Cônego Fernando Passos, e disse: "Padre eu sou uma viúva, com muitos filhos, me ajude". O Cônego respondeu – quem lhe disse que eu sou marido de viúva?

Nas comissões das festas ele nunca deixou de ir de frente. Porem, gostava muito de pedir aos novas seitas, quando esse não dava, ele insistia até receber.

O Cônego gostava muito de repreender as pessoas dizendo; "Quem mandou você mijar fora do caco, Agora assuma seu fraco".

 

Pesquisa Biográfica realizada pelo acadêmico e poeta Manoel Barbosa da Silva ocupante da cadeira Nº.: 08 da Academia de Letras, Ciências e Artes de Limoeiro / Pernambuco.

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